(Fuente: itsburied)
Não sei mais qual é meu mundo. Meu mundo verdades e mentiras onde eu as inventos e as reinvento o tempo todo.
Um.Dois.Três
Cabeça vazia, coração gritando como se me pedisse ajuda, ajuda para entender o que é isso. Mas eu me pergunto: Entender o que especificamente? Minha dor, que não tem motivo latente aparente, explicar o que porque dessa dor, o porque dessa loucura que vejo como única saída pra viver.
Viver de olhos abertos, mente aberta mas coração fechado. Não agüento caros amigos, sinto meu corpo pifar a cada tentativa, a cada novo tratamento, a cada novo sorriso, a cada novo abraço, a cada fome, a cada a cada cada ronco no estômago. Tudo isso mais uma vez eu deveria saber melhor, mas eu não sei. Vergonha e revolta.
Olho cada milímetro do meu corpo. Ora com amor, ora com prazer, ora com ódio e ora como se eu não estivesse olhando nada, estivesse cega e perdida dentro de mim.
Revolto-me porque o sangue o qual eu utilizava como um ritual já não me tem valia nenhuma, só as marcas, e mais marcas e marcas na pele e mais marcas mentais.
Eu sou a construção e o desmoronamento, não é mesmo?
Agacho e pego meu orgulho todos os dias do chão com a língua, no chão áspero; meu orgulho e minha fome, minha fome pela vida. Mas desculpe-me se ás vezes eu a vomito e volto a juntá-la com a língua. Nessas horas não sei definir se cuspo, lambo ou engulo.
O cerco fecha e eu fico rodando no meio. Tentando saber onde pisar, porque como num passe de mágica posso estar caindo num poço, fundo onde apenas escutarei a minha voz.
Já estive lá antes, escorrei muito até alcançar o topo e sair do lamaçal podre que havia lá.
Tudo isso é como se fosse um purgatório, esperando a salvação que nunca chega. Onde eu tento escrever amor nos meus braços e fazer amor comigo mesma todas as noites, mas meu corpo está cansado e pensar nesse amor também cansa.
Calma.Respira.Toma um café.Um.Dois.Três….


